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Embora

Incompreensível. Ele acordou pela manhã, abriu as cortinas. E o sol não estava lá...
Algo aconteceu. Ele penteou o cabelo da mesma maneira que fazia todas as manhas e tomou o café sem açúcar do qual já estava acostumado.
Desceu as escadas correndo, pegou o ônibus e parou no terceiro ponto, para caminhar um pouco mais. Para adiar a entrada no enfadonho escritório. Condenado a seguir as regras de sempre, monitorado e angustiado. Obedecer a um cara temperamental e infantil. Atender clientes estressados e impacientes. Sorrir forçado para as mesmas pessoas de sempre. Julio Cesar uma pessoa qualquer por fora, mais um na avenida. Mais um no mural do destaque do mês. Eram meio dia e meia, horário de almoço. Acidentalmente ou não ele derramou café no seu relatório de justificativas por ir mais de cinco vezes ao banheiro no primeiro turno. Foi aí que algo aconteceu... Um carro passou no sinal vermelho, o canário do vizinho piou, o sistema pifou.
Julio Cesar levantou da cadeira, pegou a pasta de couro gasta e foi embora.
Embora de todas as atitudes impensadas. Embora de prisões auto-criadas. Embora de opiniões alheias. Embora de sonhos não seus. Embora de sapos engolidos. Embora da vergonha. Embora. Embora o pegou pelos braços e o levou até uma estradinha de chão batido. A qual ambos seguem juntos até hoje na caminhada da vida. Compreensível.

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