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Menos blá, blá, blá e mais ação. (ou quem está na chuva é pra se molhar.)


Estava eu saindo do trabalho, quando de repente caiu aquele pé d’água. Puxa, justo hoje que vim de vestido e rasteira e sem sombrinha! Porque o dia que venho de calça, botinas e bóias de braço não chove. Estava eu perdida em meus xingamentos, quando mais que de repente escuto um:

- Ô moça você vai para o centro, quer uma carona? Um senhor com mais de 50 anos, em um carro vermelho (não reconheci o modelo) usava óculos de grau, barba grisalha por fazer e tinha um par de bochechas rosadas. Respondi no automático:

– Não, não vou para o centro (mentira), meu marido (marido? Nem namorado eu tenho) vem me buscar (iria de ônibus). Agradeci com um sorriso amarelo e pisquei (não, eu não estava dando mole para o coroa, ele tem idade pra ser meu pai, não gosto de barba e nem de óculos. E por que estou me justificando tanto? Eu não sei a razão da piscada e ponto).

Na longa trajetória de estrada pensei sobre o motivo da oferta. E se ele fosse um pedófilo-tarado-maníaco-psicopata, que me ofereceria um doce, me estupraria e jogaria meu corpo no mato? E se ele fosse um sequestrador que me ameaçaria de morte se minha família não pagasse a fiança? E se ele fosse um foragido e precisasse de uma comparsa? E se ele fosse um fã de longa data que diante da oportunidade se apresentou? E se fosse o tal do amor à primeira vista e nós tivéssemos fugidos juntos? E se ele somente ouviu meus xingamentos, percebeu que eu estava toda ensopada e ofereceu carona, porque ele partiria mesmo para o centro?

A vida é repleta de “e se”. E se eu tivesse tentado? E se eu tivesse aceitado? E se eu tivesse questionado? E se eu tivesse gritado? E se eu tivesse passado? E se eu tivesse casado? E se eu tivesse continuado? E se eu tivesse escrito outro texto? Será que você me leria? E se eu tivesse vivido mais e pensado menos? E se...