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Essa que é a verdade, companheiro




Eu vou ser sincera com você. Senta aqui, que eu te conto a minha história e ainda te faço um carinho. Eu aguento ser largada, aguento ser rejeitada e aguento o seu silêncio. Não dói, eu apenas finjo a dor. Eu simulo um gostar que não é do meu interior. Por isso eu te deixo com tanta disposição, na real você nunca foi meu.

Mas não pense que eu não tento ser verdadeira. Acontece que fui abandonada quando pequena. Eu fiquei sozinha, sem ninguém para olhar por mim. Eu uma menina mimada superprotegida que era levada no colo com toda a admiração, que se achava a rainha do universo, fui deixada. Me esqueceram em um mar de dor. E eu não mostrei a minha, porque aqui em casa era tanta que alguém tinha que manter o controle. Meu pai saiu, fugiu e me deixou com uma doida (que não era minha mãe - naquele momento) que me disse os piores xingamentos que se fala para uma adolescente, que já era insegura por natureza.

Eu aprendi a me odiar desde cedo. Eu tentei segurar a barra, até não admitir mais. Não consegui engoli o choro, engoli o grito. Reconheci que em algumas situações é melhor a cara de paisagem. Dissimulada, porque ninguém estava interessado em mim, na minha dor.

Se eu mostrasse tudo que eu tenho aqui, será que você aguentaria?

Eu te escolhi a dedo. Admito, eu me acho mais do que você, desculpa, essa é a verdade. Eu te escolhi para treinar ser eu mesma. Depois de anos disfarçando, sendo o que as expectativas alheias desejavam, eu desaprendi a me mostrar, a falar sobre meus gostos, valores e sentimentos. Eu te escuto, com a maior dedicação. Te dou o meu apoio, mas não o contrário.

Eu te elegi, porque você é um bebê que precisa de cuidado. Te selecionei, porque você é um mimado e acima de tudo porque não gosta de mim. Eu sinto cheiro de desprezo e é assim que eu me sinto segura. Porque lidar com o desamor eu consigo. Não queira cuidar de mim. Eu sou macaca velha, sei andar sozinha. Não sei receber proteção. Eu te mordo, arranho e esperneio. Porque não fico confortável com o teu afeto estável.