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Carta para um marujo



Eu tentei disfarçar, camuflar e ignorar essa vontade louca de voltar no tempo. Os domingos são terríveis, o cheiro do café da tarde me faz lembrar daquele tempo bom feito de algodão doce e sorriso cor de pipoca. Aquele tempo em que brincávamos juntos, que você morava comigo e que eu não tinha medo de surpresas. A segurança era bordada no meu moletom de capuz e os dias eram sem ansiedade, porque a noite terminava com um beijo de boa noite e uma promessa boa.

Começou com uma coceirinha de baixo do mindinho do pé e subiu, devagarinho. Eu me encontrei perdida em pensamentos depois de passar melado no pão e quando provei a nata fresquinha não aguentei, me desabei em choro, porque o gosto era igual o cheiro da tua camisa de algodão amarela.

Foram anos de aprendizado, de teimosia, de farsa e de riso contido. Com responsabilidades disfarço a tamanha falta de comprometimento que lido com a vida. Pois desde que você me deixou eu tenho esse escudo na alma. Para não enlouquecer me distraio com música, poesia, dança, piadas e afazeres domésticos. Tentei me automedicar, mas não deu certo. Tentei morar fora, mas levei você comigo. Tentei não pensar, mas lembrava mais ainda. Tentei de tudo, cara. As linhas de expressão dizem que já não te vejo há anos. E a minha mão está calejada de tanto escrever.

Volta logo.