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Minha ex-BFF (best friend forever*)



                 Éramos grudadas como irmãs siamesas. Sentávamos uma ao lado da outra na sala, no recreio fazíamos o controle da dieta juntas, passávamos as tardes colocando a fofoca em dia pelo celular e a noite não terminava sem um aviso de “até amanhã” via SMS. O que estas duas tanto conversam? - questionavam os pais. Tudo! Discutíamos as dúvidas, os medos, os sonhos, os amores e os traumas - dividíamos uma vida.

                Minha BFF era adorável, alta, magra, morena e atrapalhada. Ela fazia o meu lado para os gatinhos, nos arrumávamos para as festas juntas e no fim da noite comentávamos o que tinha rolado na festança. Cá entre nós, a festa nem tinha sido tão divertida, mas nós éramos. Em alguns momentos não precisávamos nem falar, uma lia o pensamento da outra.  Eu contava algumas histórias e piadas e ela ria até quase fazer pipi nas calças.

                Nós estudávamos para as provas, ficávamos em exame e comemorávamos o 10 juntas. Unidas para sempre como era pra ser. A professora dizia que amizades na adolescência duram uma vida inteira. Eu acreditei com a empolgação de envelhecermos lado a lado, nada poderia nos separar. Nunca brigávamos, parecíamos uma só pessoa em corpos diferentes.

                Até que a fase dos sonhos (leia-se ensino médio) passou e cada uma seguiu o seu caminho. Houve mudança de cidade, de personalidade e de objetivos. E de repente minha BFF ficou bem chata e eu virei a garota incompreendida. Cadê a compatibilidade que tínhamos? I don’t know. As ligações ficaram escassas e os encontros nas ruas ficaram limitados a três frases: “Oi, Tudo bem?”, seguido por “Me conte as novidades!”, com uma virada de cabeça ou uma chacoalhada na bolsa finalizando com o famoso “Temos que marcar alguma coisa qualquer hora”. Ok, nós duas sabíamos que este encontro não iria rolar.

                No início veio à incompreensão, fazíamos de tudo para que o papo fosse o mesmo. Depois veio a revolta: por que o papo não era o mesmo? Seguido pelo conformismo: ai! Que papo chato. E logo após veio a indiferença: não me interesso por este assunto. E assim como a conversa tem prazo de validade a pessoa também. Sem juras de amor em cartas, nem pingentes de BFF em formato de coração e nem gestos de ansiedade para contar uma fofoca. Somente uma saudade boa de ter tido uma BFF dessas que vemos em filmes e séries teen.


* Para os desinformados de plantão best friend forever significa: melhor amiga para sempre. E cá entre nós, quem não teve uma na adolescência que atire a primeira pedra. Eu como digna mortal que sou, tive várias.