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O texto lendário



Se eu encontrasse um gênio da lâmpada mágica hoje, agora bem aqui na minha frente e ele pudesse me conceder um único pedido. Eu suplicaria sem titubear: quero escrever um texto fantástico! Meu desejo é escrever uma crônica que te cative que te pegue pela mão e quando você se der conta, já engoliu todas as palavras com os olhos. Um texto que te prenda, que te identifique e te acolha em um abraço quentinho. Que te acompanhe amassado no bolso da jaqueta quando passar pelos vales da vida e que te faça sorrir por ser tudo tão óbvio. Que ele seja leve, mas não fútil. Que te ensine algo. Não que eu me ache melhor do que você, não mesmo. Gostaria de ensinar apenas para retribuir ao mundo o que vários textos já fizeram (e ainda fazem) por mim.

É lendo que eu fujo da realidade e viro uma detetive expert em desvendar crimes. Lendo descubro outras culturas, tenho a possibilidade de me reinventar. Um livro é meu amigo por dias, horas, minutos e até segundos. Depende o quanto de tempo tenho disponível. Ele não precisa de energia, nem de bateria e é quase incorruptível, só se meu cachorro estiver com fome, aí danou-se. Mas até com uma marca de mordida o livro fica charmoso.

Este fascínio por ler começou cedo, ou não, depende do seu ponto de vista. Quando criança comecei a ler com sete anos, nada prematuro e lia com uma dificuldade e vagareza que só vendo. Tímida, tremia que nem vara verde quando a professora Rosa da primeira série (sim, sou do tempo que se chamava série. Não, você não pode me chamar de tia.) me escolhia para ler lá na frente da sala. Notas altas somente em Literatura e eu tinha que ler o livro inteiro. Resumos não funcionavam comigo. Vamos dizer que sou uma pessoa mediana, não confunda com medíocre, por favor. E para fugir do tédio, eu lia. E fui pegando o gosto pela coisa e um dia tive uma ideia. Inventar a minha própria história! Seria mágico e foi (e continua sendo). Mas como nada se cria tudo se copia já dizia Chacrinha. Eu li um livro da falecida Stella Carr (adoro todos os livros dela, mas em especial “O monstro do Morumbi”) e me baseei na historia, para criar a minha. Ficou show. E depois disso gostaria de dizer que não parei mais, mas infelizmente parei. Dei aquela parada como se estivesse em um cruzamento e não soubesse pra qual lado ir e caminhei em círculos ao redor do trevo por algum tempo.

Porém, em um belo dia de mudança e vários meses de reflexão, decidi chutar o balde e descobrir o que eu saboreava de fato. A escrita esteve sempre aqui, estampada na minha cara. No entanto, eu não enxergava, ou pior ainda, enxergava, mas não aceitava. Ser escritora? É isso mesmo, produção? Como assim? "Isso só pode ser brincadeira", eu pensava. “Escolha algo mais concreto”, me diziam os conhecidos. E assim segui a procura por algo mais definido. Até que em outro dia de mudança, enchi o saco.  Respirei fundo e mostrei a língua para todos ao redor e comecei a escrever novamente. Somente essa ação me gerou um contentamento infinito. Eu gosto de todo o processo: a escrita, a leitura e a parte do editor que tem a tarefa de cortar as palavras desnecessárias, mas a minha preferida é a parte que você lê e comenta que curtiu, que se identificou, que te ajudou ou simplesmente que achou uma baboseira, mas riu à beça.

Tá, mas iniciei este blá blá blá que se eu encontrasse com um gênio da lâmpada mágica faria um único pedido: quero escrever um texto lendário! Enquanto o gênio não me encontra, vou escrevendo esses textos, mesmo.