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A fugitiva



Sabe aqueles dias que você quer ficar sozinha e quieta em um canto, para pensar com os botões? Então, hoje eu tive uma noite assim. Tomei a minha dose de introversão e respirei. Só que acontece que eu não estava em casa, tinha recém terminado uma prova na faculdade, logo teria que buscar a minha mãe na escola  e resolvi matar tempo no shopping. Lá pelas tantas deu fome e logo na praça de alimentação encontro conhecidos. Nunca sei se dou “oi” ou não para conhecidos, sabe aqueles que você só conhece de vista, ou de “oi” e “tchau”? Prefiro disfarçar que não vi, porque é melhor do que dar oi e não ser correspondido. Mas esses conhecidos me reconheceram e deram oi e perguntaram se eu iria comer e me convidaram para sentar junto com eles na mesa e eu definitivamente não queria, mas como dizer não é um problema para mim. Resolvi sorrir e sair de fininho.

Alimento escolhido, me escondi para comer sozinha. Optei por uma mesa minúscula no canto e me enfio atrás do pote de suco de 750 ml. Depois da refeição, decidi caminhar pelo shopping e esbarro com mais duas conhecidas, trocamos cumprimentos e elogios. Finjo que vou para outra direção e me despeço. Saio do shopping para admirar o céu que está lindo, estrelado e perfeito para ser observado. Avisto as mesmas duas conhecidas esperando o semáforo fechar para atravessar a rua, diminuo o passo e olho vitrines para não ter que me encontrar com elas de novo.

Estou perdida em meus pensamentos, quando me assusto com:

- Pri?

(Putz! É o ex que eu não via há séculos!).

- Oi!

Não está na aula?

- Não.

(...)

- Tive prova e saí mais cedo, agora estou matando tempo para ir buscar a minha mãe às 22h na escola.

- Blá blá blá blá! Hahahaha

Eu não entendi nenhuma palavra que ele falou, como no final ele riu, resolvi soltar a expressão salvadora:

- Tá bom! Haha (E isso foi um: tchau educado.).

Ainda não acreditando no encontro inesperado, atravesso a rua e:

- Que sorriso bonito!

- Como?

- Seu sorriso é muito bonito.

- Obrigada!

E corro até entrar no carro e não sair nunca mais, pelo menos até esta fase de introversão passar.