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Escolho menos



"O importante é não parar de questionar."


Este final de semana me peguei pensando em como os anos passam rápidos. Parece que foi ontem quando eu tinha 14 anos e estava louca para fazer 18 e ter a bendita “maior” idade, porque poderia dirigir, beber e ser independente. É claro que eu estava equivocada com o terceiro benefício, como você já sabe essa tal independência vem com se bancar financeiramente e eu não consegui aos 18 anos. E na verdade até hoje peço ajuda financeira para meus pais em alguns meses. Mas a questão é: como parece que o tempo voou depois dos 18 anos. Pra você também? Pensei que poderia ser o tempo mesmo que mudou. Será que as 24 horas não são mais os mesmos 1440 minutos? Ou será que temos outra noção de tempo? Nenhuma nem outra. Cheguei à conclusão que as atividades mudaram. Até os 18 anos eu somente estudava e olhe lá, agora estou tão acostumada a trabalhar, estudar e fazer cursos extras que mal sobra tempo para respirar. E todo esse sacrifício pra quê? Para ter grana, não é? Para ser alguém na vida, afinal ninguém quer ficar para trás. Então, a gente sai correndo o mais rápido que pode para alguma direção que nem se sabe aonde vai chegar. "Mas o importante é não parar!", diz a Rotina. Será?

 Eu vou ser a do contra. Quero defender aqui o ato de parar. E eu tenho uma boa desculpa para isso: semana passada, sofri um acidente. Para simplificar fui atropelada, porque estava com muita pressa em chegar em casa para dormir cerca de meia hora e ir para a faculdade. E aí fui atravessar a faixa de pedestres e um carro bateu em mim. Segundo a motorista, ela não me viu porque estava olhando para o lado preocupada com os afazeres do dia. A realidade é que estamos muito ocupados, estressados e desatentos. E aí você me diz: os tempos mudaram! É mesmo. Agora penso que até os 18 anos eu não via o tempo passar, talvez quem é da minha geração (alô os que nasceram em 1980 e poucos) vão se identificar, mas a nova geração já nasce conectada, estressada com tantos cursinhos. Pois, se você quer garantir o sucesso tem que ser basicamente um gênio e superdotado é identificado cedo. Então, quanto antes você aprender melhor.

E lá vem a pergunta de novo: todo este esforço pra quê? Para ganhar o dinheiro nosso de cada dia  que tanto necessitamos, não é? E a gente ganha à grana e compra coisas. Esta é a bola de neve eterna, trabalhamos para comprar. E o lazer, o ócio criativo e a parte de não fazer nada, cadê? Aí você me fala que é coisa de poeta ou de gente desocupada que não quer nada com a vida. Ah! Logo você que é tão moderninho.

Estou aqui para defender o tempo de não fazer nada, de pensar na vida, de caminhar, de se balançar na rede, tirar um cochilo depois do almoço, ler um livro no sofá da sala, conversar com os vizinhos, ouvir os avós ou seja lá o que te faz feliz. Precisamos mais disso. E como precisamos! O que leva toda esta afobação e stress? Hoje eu sei, leva a uma morte prematura. Eu poderia ter morrido na quinta-feira passada, por culpa da minha pressa e a da motorista. Só não morri porque um anjo me segurou e por um segundo não fui pega de cheio pelo veículo. Sim, foi milagre. Ah, você não acredita? Que pena, até em milagres esse povo apressado não acredita mais. Agora eu sigo o meu ritmo. Não faz mal se eu ganhar menos grana, se eu não tiver tantas especializações, se eu não ter o carro do ano e se eu chegar atrasada ao dentista. O que me faz mal é não respirar direito, é ter dores nas costas, é não ter tempo para brincar com a Dóris, nem para telefonar para as irmãs de coração, nem para bater papo com os tios e escrever nos meus diários. Cada um faz a sua escolha. E hoje estou aqui assinando um contrato comigo: eu escolho menos. E você?