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Recordação de uma corrida




“Acidentes são inesperados e indesejados, mas fazem parte da vida. No momento em que você se senta num carro de corrida e está competindo para vencer, o segundo ou o terceiro lugar não satisfazem. Ou você se compromete com o objetivo da vitória ou não. Isso quer dizer: ou você corre ou não.”


Lembro-me como se fosse ontem, meu primeiro choro por causa da morte de alguém querido. A luz da sala estava acesa e a cortina dançava ao vento da janela aberta. Minha mãe cozinhava e tamborilava nas panelas. Enquanto eu e meu pai estávamos sentados no sofá inquietos e com os olhos vidrados na TV. Sim, era domingo de manhã. Sim, era um dia especial, pois havia a esperança da vitória imposta pelo nome Ayrton Senna competindo na corrida de Fórmula 1. Ele sempre ganhava e eu e meu pai cantávamos em coro: “É campeão, é campeão!” E irritávamos minha mãe com pequenos cascudos no braço. Uma rotina deliciosamente dominical.

Só que aquele dia seria diferente, era dia 1 de maio de 1994 e em uma curva final da corrida Senna perdeu o controle do carro e se espatifou contra o muro de proteção. Os jornais dizem que ele estava a mais de 300 km por hora e que ele ficou gravemente ferido na curva Tamburello, do Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola. Levado diretamente para o hospital, sua morte foi confirmada poucas horas depois. Para mim em minha inocência foi somente uma falta de atenção e ele parou de vibrar. Na época foi comoção nacional. E eu que estava chocada com as imagens me debulhei em prantos. Chorei até a cara ficar toda vermelha. Minha mãe veio correndo da cozinha com a panela de arroz na mão perguntando qual era o motivo. “Senna morreu, mamãe!”, expliquei. Meus pais me consolaram dizendo que era só uma pessoa desconhecida um ídolo e nossa religião era contra idolatraria. Naquela época eu não soube defender os meus motivos eu só repetia: “Não acredito!”. Hoje vejo que não era a velocidade ou os troféus que tanto importavam para mim. Senna era uma pessoa real que conquistava seus objetivos, mostrando que tudo é possível se você acreditar e trabalhar duro. Sim, eu aprendi esse princípio com 5 anos de idade com uma pessoa que nunca conheci pessoalmente. E por isso é um marco na minha vida.

Senna transmite esperança, sonho e saudade. Prova que acreditar é meio caminho andado para a conquista. Ele era intenso e tinha um carisma único. Mostrava que o meia boca não satisfaz. Ou é para fazer pra valer ou não faz. Ou abocanha com vontade o sonho ou deixa-o embrulhado em algum guardanapo na despensa.