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Manifesto de 2013 (ou o dia que eu entrei para a história)



No meio da multidão com certo receio de ser pisoteada, me perguntei o que eu estaria reivindicando. Era dia 20 de junho de 2013, passava das 19 horas e eu estava com mais de dez mil pessoas nas ruas de Joinville berrando exigências para o país. Confesso que fui mais como observadora do que revolucionária, mas me peguei rugindo os gritos de guerra: “Vem pra rua!”, “Pec 37 não, o Brasil não tem espaço para ladrão!”, Ei! Você aí parado também é explorado!”, “Ei! Vamos acordar, o professor vale mais do que o Neymar!”, “O povo unido jamais será vencido”, “É uma cagada, a Pec 37 não pode ser votada”, entre outras. Confesso eu senti falta do hino nacional, mas talvez eu não  saiba cantá-lo inteiro, não que eu não sinta vergonha de admitir, mas acho necessário ser sincera. Creio que a minoria da população saiba de cor. Mas não estou aqui para críticas, afinal não sou perita em política, mas quando me sinto injustiçada preciso fazer algo. E presumo que todos pensaram assim naquela noite típica da cidade que mais chove no estado.

A grande massa com sombrinhas e capas de chuva caminhava pelas ruas com os rostos pintados que me fez lembrar do manifesto de 1992, quando o Collor tomou o dinheiro da poupança do povo. Na caminhada perguntei para alguns o que estavam protestando e no contexto geral as respostas eram: contra a má administração pública, contra a criação da Pec 37 (Se aprovada, o poder de investigação criminal seria exclusivo das polícias federal e civis, retirando esta atribuição ao Ministério Público), por mais educação, mais segurança e por uma saúde com qualidade. E claro, pela diminuição do preço da passagem de ônibus que é uma das mais caras de Santa Catarina. E o gesto de revolta foi invadir o terminal central de Joinville. Depois partimos em direção a prefeitura, havia muitos policiais nas ruas, nós não tínhamos um hino especifico, eram mais gritos e assovios. Eu estou muito contente em ter participado da manifestação na chuva, vesti uma capa de chuva e mesmo assim fiquei toda ensopada, mas valeu a pena. Digamos que na hora eu gostaria de estar no conforto da minha casa, no sofá quentinho. Porém, escolhi estar nas ruas. A maioria dos militantes eram jovens, de 18 a 20 anos. Achei muito bonito ver também casais de idosos e gente engravatada bradar por seus direitos.

Um dia antes escutei de um cara que admiro muito uma baboseira. Ele não iria participar do manifesto, porque segundo ele isso é coisa para jovem, afinal eles são o futuro do Brasil. Engoli em seco, pigarrei e soltei uma pergunta tímida (já que a minha educação pelos mais velhos e a minha insegurança de confronto não deixaram o meu gênio irritadiço se elevar): mas não é você que diz que está tudo errado, que os políticos só sabem roubar e o povo não faz nada? Acha bonito ficar no sofá de braços cruzados assistindo TV enquanto os outros estarão nas ruas fazendo algo? Ele me olhou com cara de espanto e afirmou que quando o protesto refletir em alguma ação do governo ele começará a participar. Talvez seja o primeiro passo que falta pra muita gente, iniciativa é uma qualidade, infelizmente não de muitos. Entre o discurso que politico é tudo igual e eu não votei em fulano e fazer alguma coisa existe um hiato enorme.

Feito, fomos pra rua berrar nossas reivindicações. O gigante acordou e não vai fugir das lutas. A minha pergunta é: que armas ele utilizará na guerra?

Por fim, ao longo da semana me vi pressionada por um posicionamento diante dos protestos e sobre a situação geral que estamos vivendo. A cobrança surgiu porque sou jovem, estudante e escritora. E você aí garota das opiniões não vai escrever sobre o assunto? Calma, gente! Não concordo com a expressão "quem cala consente" sobre esse assunto, penso que ter opinião é fundamental, mas cada um tem o seu tempo de reflexão sobre o fato. Quero publicar ideias conscientes minhas, não dar um ctrl-C + ctrl-V na opinião do outro.