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Encontro de amigas



10 anos atrás

Elas eram um quarteto fechado, se conheceram no ensino médio e foi amizade à primeira vista. Tinham nome oficial do grupo, fãs e arqui-inimigos. Mas não se importavam porque eram populares no colégio. Para fazer parte do grupo? Você precisava preencher um questionário e ser aprovado pelas quatro e elas não tinham cara que precisavam de novas amizades. Elas se completavam.

Elegeram a cafeteria Amora como ponto de encontro e era lá onde passavam as tardes discutindo os assuntos mais importantes da vida: provas, festas e gatos. Teve um dia que o assunto era incomum, falaram sobre o futuro. Questões como: profissão, moradia e manter o contato. Chegaram à conclusão que todas iriam morar no mesmo apartamento na cidade de Porto Alegre, ou melhor, seriam vizinhas de prédio.

Hoje à tarde

Larissa já estava sentada no interior da cafeteria e ajeitava o babado do vestido impaciente com o atraso das demais. Ela tinha o bom senso de chegar no horário, era assim desde sempre e as outras... Bem, as outras a deixavam esperando. Lari (como prefere ser chamada) era dentista e estava fazendo mestrado, agora queria ser professora. O importante para ela era ter um salário recheado no fim do mês. Seu projeto de vida era baseado em ter filhos e ganhar no mínimo 10 mil por mês, para poder gastar em viagens, imóveis e roupas. O marido não precisava vir junto no pacote com os filhos. Situação atual: solteira. Detalhe: nunca namorou.

A segunda a chegar foi Angélica com passos lentos e rosada na face por causa do calor da tarde. Vestia seu jaleco de professora e carregava dois livros de ilustração como se tivesse saído da aula. Ela avistou a amiga de longe e reconhecia a veia saltada da testa da colega como sinal de aborrecimento. Assim que a outra a viu tratou logo de dar-lhe um abraço e puxar papo, sem mencionar o atraso. Angel (apelido que acabou pegando mesmo ela não gostando) era casada, sem filhos e tinha dois enormes cachorros de raça indefinida. Ela tinha a mesma idade das outras, mas parecia ser bem mais nova. Amava suas cinco tatuagens e não pintava as unhas dos pés. Detalhe: sempre manteve o cabelo super comprido e liso.

Assim que Angel sentou, Bárbara entrou na cafeteria e começou a descrever como foi chegar até ali. Ela era a única do grupo sem carro, portanto veio de ônibus e isso rendeu-lhe uma história engraçada para a alegria das outras amigas e assim ela também não se desculpou pelo atraso. Se acaso não tivesse uma história engraçada para contar a inventaria, mas é praticamente impossível ela não ter uma história para contar. Babi é escritora, sonhava em escrever um romance que se tornaria o próximo best seller, mas por enquanto sobrevivia de freelas para revistas e jornais. Ela estava solteira, já namorou várias vezes, mas enjoava muito fácil dos seus namorados. Dizem as más línguas que ela escolhia sempre algum perdedor que não combinava com ela para poder terminar e pensar que não merecia ser amada. Detalhe: ela tinha um sorriso encantador.

Por último chega Karoline a líder do bando, ela era a mais linda e mais rica do grupo. E deixava claro essa informação pelo jeito que se vestia, com peças caras e da moda. Ela sorriu para as amigas e distribuiu lembrancinhas da Inglaterra. Sim, Karol morava lá há oito anos e fazia tempo que não conversava com as três. Ela era gerente de uma loja de lingerie, mas havia se formado em Cinema. Se sentia realizada em ganhar descontos nas compras e conhecer pessoas de grande influência no comércio. Ela dizia que poderia ficar somente por uma hora, pois o voo sairia cedo. Karol namorava o seu nono namorado e parecia que queria casar com esse. E não pensava em ter filhos. As outras três também não queriam demorar, não pareciam às mesmas de dez anos atrás.

Elas conversavam sobre relacionamentos, trabalho, viagens, dinheiro e até do tempo. E sentiam que não tinham muito o que compartilhar agora, fora as lembranças de uma época sem responsabilidades. Lari espirrou, Angel observava os carros na rua, Karol olhava o relógio e Babi decidiu contar uma piada (e prometeu que era a última do dia). Pelo bem, todas riram e lembraram de um episódio da primeira vez que saíram à noite juntas. E no tom de bons tempos que Angel fez uma pergunta:

- Se a gente se conhecesse agora. Será que seríamos amigas?

           As demais ficaram em silêncio e responderam em uníssono que não, seguido por gargalhadas e voltaram a falar do início da amizade de como a vida era mais cor de rosa.

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