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O convite



Eu sabia que este dia iria chegar, mas tinha esperança que a minha vez chegaria primeiro. No fim você estava certo, tem o direito de esfregar a felicidade na minha cara. Só achei injusto me enviar o convite, eu sei eu tinha que saber que era com ela. Você deve estar sorrindo agora. “Culpa sua” - você disse umas três vezes quando liguei perguntando se era verdade. Você me acusou de não saber perder e de não saber me relacionar também.

Nós nos dávamos bem quando éramos somente amigos, por longos três anos. Quem quis namorar foi você e quem terminou fui eu, alegando que não tinha maturidade para um compromisso tão sério. Maturidade que adquiri assim que te vi com ela. Quando eu terminei, você chorou disse que me amava e eu quis continuar na amizade, mas você não quis, disse para eu seguir a minha vida que era para eu parar de te atormentar. Eu parei, deixei-te em paz, até eu te ver com ela.

Achei uma puta sacanagem você me enviar o convite por correio, sério. Primeiro, deveria ter respeitado a minha posição de ex e não mandado nada. Poderia ter deixado eu saber do casório por algum falso amigo fofoqueiro. Mas não, você quis que eu soubesse e não teve a decência de me entregar em mãos, porque sabia que eu iria gritar, espernear e te abraçar. Covarde. Me enviou pelo correio e deve estar morrendo de curiosidade de qual foi a minha reação. Você ainda deve lembrar-se daquele dia que peguei minha irmã usando a minha escova de dente para pentear a sobrancelha. Bom, a minha cara está parecida. Eu tenho nojo de vocês juntos.

Eu não sei ainda se vou ao casamento. O prudente seria não ir, mas me resta uma ponta de curiosidade de vê-la de vestido. Ela vai estar linda, eu sei. Ela sempre foi mais linda do que eu e apaixonada por você, diferente de mim nos dois adjetivos. Se fosse com qualquer uma, eu iria para desejar felicidades e fingir que ainda mantemos contato, afinal foram sete anos juntos, contando os três de amizade. Porém, é com ela. Ficarei tentada a gritar assim que o padre começar a falar: “se alguém tem algo contra esta união, que fale agora ou...”.  Pensando bem, é melhor não, daria um fuzuê e eu não gosto de barracos. Ok, menti. Eu gosto e você sabe, mas eu teria que ser mais original esse de interromper o casório é um clichê de comédias românticas. Aquelas que você assistia comigo nos domingos a tarde com cara de tédio. Será que você assiste comédia romântica com ela?

Por que você me mandou este convite? É pra rir da minha cara, mesmo? Ou será que quer voltar a ser meu amigo? Afinal, já faz cinco anos desde o nosso término e quatro que está junto com ela. Credo! O convite é todo branco, sem nenhum charme. Eu acho que vou sim, antes vou contratar um acompanhante bem gato, para você ver que eu não fiquei sozinha como você praguejou quando rompemos. Ok, fiquei. Você tinha toda a razão eu não sei me relacionar, mas estou disposta a aprender com você.

PS: não resisti de responder por carta via Correio. Afinal foi assim que começamos a namorar, você lembra?


8 Comentários:

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