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Risadas irresponsáveis



O andar é desajeitado, o riso é fácil e os comentários desconectados com o momento. Não entendem o humor da menina tímida. Nunca achei graça de ser uma garota engraçada, porque ao contrário de alguns, eu não via nenhum glamour em ser a boba da turma, a palhaça ou simplesmente a engraçadinha. Não sei contar piadas, nem imitar gente famosa. Então, por que me acham engraçada? Os colegas dizem que é a minha risada é estridente e faz rir e meus comentários são inapropriados. Me acostumei com gente pedindo para eu falar mais baixo ou simplesmente falando: menos, Priscila. E aí tentei mudar, mas não consegui.

Ia ao velório e olhava para o cadáver e começa a rir, levava esporro do chefe e ria internamente, me atrapalhava com as moedas do troco e começava a rir, pisava em cima de alguma caca e começava a rir... Eu era a sempre que caía, que ria na apresentação de trabalho, que falava gírias e contava alguma cena engraçada que tinha acontecido no trajeto e aí o adjetivo pegou: ela é engraçadinha. Mas não gostava, me sentia uma toupeira. Queria saber fazer comentários inteligentes e contar algum fato seriamente e que me levassem a sério, mas não levavam. Os colegas ouviam esperando para rir e quando não tinha graça simplesmente riam, pela força do hábito.

Eu troquei de roupas, mudei a cor do cabelo, usei salto, fiz cara de séria e fechei a boca, mas o disfarce não durou muito tempo. Finjo no trabalho, na faculdade, nas ruas, com o semblante mais carregado para disfarçar o ar de peralta que me acompanha. Não adianta mãe, eu não cresço. Torço sempre pra chegar a hora do recreio para eu poder imaginar, comentar e rir.

Têm momentos que o riso é inapropriado, por exemplo, em uma falha ou em um engano. Há ocasiões que tenho que pousar de adulta, de gente grande, da responsabilidade em pessoa. Mas assim que eu dou uma bola fora, não consigo xingar, ficar brava ou bancar a durona. Caio na gargalhada sem dó nem piedade. Hoje aconteceu um fato, deixa eu te contar, recebi uma SMS do banco do Brasil perguntando se eu tinha feito uma compra e eu não fiz. Me desesperei liguei pra pai, pra melhor amiga era um ai-meu-Deus-me-acuda porque não sei ligar pra cancelar cartão, fui roubada, descontaram R$ 69,90 da minha conta, clonaram meu cartão! Quase surtei. Quando finalmente a tal melhor amiga (valeu, Fran!) me acudiu e ligou para a central do banco descobri que era a fatura da conta da operadora do celular que eu havia solicitado e aí já tinha cancelado o cartão, por consequência vou pagar 5 pila pela segunda via, vou esperar 7 dias úteis para o cartão chegar e enquanto isso fico sem dindin na carteira... Pedi desculpas para o atendente, olhei vermelha para minha amiga e adivinha o que a gente fez! R-i-m-o-s. Porque nessas horas não há mais nada para se fazer a não ser reconhecer o desastre da situação. É, a minha dermatologista estava certa, rindo assim, eu ainda não preciso de creme antirrugas tão cedo. 

1 Comentários:

  1. Oi, Priscila. Parabéns pelo seu texto, sua escrita, e pelo blog. Gostei, e prometo visitar mais vezes. Li em algum texto a respeito do humor, que fala que o humor verdadeiro, aquele, de bem com a vida, sem maldade, é justamente a capacidade de rir de si mesmo. Das nossas próprias bobagens, defeitos, e até mesmo as tragédias. É um jeito muito bom de levar a vida! Parabéns!

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