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Maria Callas também precisava se sentir amada


“Quem quiser me compreender realmente, irá me encontrar inteira em meu trabalho”
(Maria Callas)

Na última sexta-feira fui assistir ao espetáculo Callas com direção de Marília Pêra no Teatro Juarez Machado aqui em Joinville. Há inúmeras razões para indicar a peça teatral. Entre elas está para saber mais sobre a vida e angústias da cantora lírica, assistir Claudia Ohana dando um show de interpretação, se maravilhar com o figurino e refletir sobre a complexidade do ser humano.

A peça começa com um dia antes da morte de Callas, dia 15 de setembro de 1977, Maria topa dar uma entrevista para o jornalista John Adams, para ajudar na exposição que ele está fazendo sobre a vida e carreira dela. A cantora no início é fria e dura, as respostas são evasivas, mas aos poucos ela se abre e conta sobre seus anseios e frustações. Mostra por trás da máscara de orgulho e vaidade que existe um ser humano com medo e sozinho.

A diva da música lírica é ainda hoje considerada a maior cantora lírica de todos os tempos. A cantora expõe seu lado humano quando conta sobre ciúmes de outras mulheres com seu ex-marido, insegurança relacionada às concorrentes de profissão, a perda do único filho, os desentendimentos com a mãe. Callas queria se sentir amada. Assim como todas nós.

O ator Cássio Reis que faz o jornalista John Adams e grande admirador da cantora, inúmeras vezes elogia e tenta resgatar o brilho da estrela, pois ela está chateada por não ter a mesma voz do início da carreira. Callas ficou oito anos sem cantar, desde que se casou com Aristóteles Onassis, o único homem amou.

Callas era uma mulher que buscava desesperadamente amor, admiração e aprovação. A infância foi roubada pela mãe que a fazia participar de vários concursos de canto. Confessa que se ganhasse os concursos a mãe ficava feliz, então cantava o melhor que podia. Orgulhosa Callas não reconhece que se sente só aos 53 anos, ela revela que aos finais de semana implora para os funcionários fazerem companhia. No final da entrevista com John, ela pede para ele jantar com ela, mas o jornalista já tem outro compromisso e diz que em outra data poderiam jantar. Ela fica desolada, não suporta mais a própria solidão.

A peça despertou em mim a complexidade do ser humano sobre precisar de carinho e cuidado. Aos vinte e poucos anos tudo o que quero é conseguir o meu lugar ao sol, atingir o meu esplendor profissional. Carreira é a palavra chave de todas as manhãs. A peça me serviu de aviso para não esquecer as relações familiares e amigos.

É importante se reciclar, fazer cursos novos e procurar evoluir como profissional, mas é de igual importância também parar e marcar um café com amigos, ligar para os parentes e tentar preencher o vazio na alma que atormenta todos os dias. Porque no fim da vida, restará somente o amor ou a falta dele.



2 Comentários:

  1. Todas nós queremos mesmo isso. Eu, por exemplo, gosto de me sentir amada sempre.
    Gostei do texto, Pri.
    Beijos

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    Respostas
    1. Amor nunca é de mais, Gabi! Fico feliz que tenha gostado. Beijos! 😊

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