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A coragem de ser você mesmo



Não cheguei a contar o meu motivo por ter escolhido o jornalismo como faculdade e consequentemente como profissão. Pois bem, depois de muito pensar e escolher faculdades que não gostei, optei por jornalismo. O motivo é porque gosto de saber da vida das pessoas. Simples assim. Mas antes de você torcer o nariz e me apelidar de fofoqueira. Deixe-me explicar melhor esse motivo.

Eu gosto de conversar com gente, saber da vida, dos dramas, dos medos, das conquistas e dos sonhos. Quando criança lembro-me de ir no banco detrás do Fiat 147 amarelo dos meus pais observando o movimento nas ruas. Minha mãe apontava as placas para me induzir a aprender a ler mais cedo, mas o que eu gostava de olhar eram as pessoas. Os motoristas, ciclistas e pedestres. Ficava imaginando o que elas estariam pensando. Depois, na escola descobri que se eu conquistasse a confiança das pessoas elas me contavam o que pensavam. Então, era o que eu fazia. Passava tempo ao lado das pessoas até elas resolverem abrir a boca e me contar seus segredos.

Não sei se esse interesse me facilita a vida de repórter. Porque na maioria das pautas o tempo é precioso e o bom mesmo é ser objetiva. Perguntar o que quer saber e se contentar com o que o entrevistado responder. Se ele não responder o que é preciso para a matéria, é necessário repetir a pergunta. Sem tempo para observar trejeitos, piscadas e respiração.

Eu sou sensível. Às vezes considero uma habilidade, como quando observo coisas que passam despercebidas para a maioria das pessoas. Mas às vezes me falta um pouco de sangue frio no processo.

Nas conversas que tive ao longo da minha vida de vinte e poucos anos, uma vez escutei de uma senhora que ela não tinha mais medo de nada e por isso se considerava corajosa. Meus olhos brilharam quando ela disse esse adjetivo. Co-ra-jo-sa. É tudo o que eu desejo ser que nem o Leão Covarde do "Mágico de Oz". Perguntei freneticamente como ela tinha desenvolvido essa habilidade, ou se a característica havia sido herdada. Ela riu da minha pergunta, eu não dei bola porque seu riso era doce. Ela me disse que o segredo para não ter mais medo de nada era passar pelo seu medo principal. Em outras palavras, acontecer o que a pessoa mais temesse.

Ela não contou o fato que ela mais temia, também não me senti no direito de questionar. Por que estou escrevendo sobre isso? Bem na semana passada recebi uma crítica. Que na hora foi como se a pessoa tivesse rido de tudo o que sou. Senti vergonha de mim. Meu desejo era sair correndo ou me enterrar viva. Mas mantive a compostura.

Depois de muito pensar e antes que você me acuse de fazer tempestade no copo d'água era uma crítica sobre o que eu mais me orgulho em mim. Era como se a pessoa dissesse que não gosta de mim. E foi. E os mais bem resolvidos vão dizer: ok, não preciso agradar a todos! Pois bem, descobri que eu buscava agradar a todos, mesmo sabendo que é impossível.

Bem, cara senhora, o fato que eu mais temia aconteceu. Alguém disse na minha cara que não gosta de mim, zombou do que eu faço de melhor e não morri. Doeu sim, mas ganhei coragem de me expor mais. Para receber aplausos, é preciso escutar as vaias também.

6 Comentários:

  1. Jornalismo parece ser uma faculdade muito interessante, e você com certeza já viu que te vocação pra isso, e parabéns você escreve muito bem.
    bjos
    www.luvdrawing.com.br

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    1. Oi, Gabriela! Sim, para quem gosta de ler, escrever e é curioso, super indico. Fico feliz que tenha gostado do texto. Beijos!

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  2. Ótimo texto!!! Muito bem escrito,atraente e com o "tempo" certo.Gostei bastante Priscila,parabéns!!

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    1. Fico feliz que tenha gostado, Henrique.
      Obrigada pelo elogio. Beijos!

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    2. Fico feliz que tenha gostado, Henrique.
      Obrigada pelo elogio. Beijos!

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  3. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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