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Crescer dói (ou a arte de fazer escolhas)



Fiquei em dúvida qual título colocar na crônica, crescer dói ou escolher dói? Já que ambos são verdades. Li recentemente o livro “A Idade Decisiva” da psicóloga e PhD em psicologia clínica de jovens, Meg Jay. Ler esse livro foi como um soco no meu estômago, para frisar o que eu já havia observado durante os meus vinte e poucos (ou seria muitos?) anos, os jovens não querem crescer. Se tornar adulto dói e adiamos as escolhas com a promessa de podermos ser quem quisermos a qualquer momento.

:: Veja a palestra da Meg Jay: Por que os 30 não são os novos 20 no TED ::

Não é novidade que hoje em dia eu corro atrás do tempo perdido em que fiquei procrastinando com a dúvida de qual profissão seguir... Posso dizer que vivi em um limbo dos 18 aos 21 anos. Hoje paro para pensar, o que diabos eu estava pensando e fazendo? Mas não adianta chorar pelo leite derramado, já diz o ditado e sigo em frente planejando meu futuro.

“Temos todo o tempo do mundo”, diz Renato Russo na música “Tempo Perdido” (a minha preferida de todas da Legião Urbana), mas Renatinho desta vez vou discordar de você. Não, não temos todo o tempo do mundo. Outra frase transmitida em boca a boca é: podemos ser o que quisermos. Err. Bem, talvez podemos ser o que estiver disponível e acessível no momento. Aí você me diz: Nossa, Pri! Você já foi mais sonhadora e otimista. Não, gente. Estou sendo realista e acordando para o mundo real. E é isso que a Meg Jay faz no livro, joga um balde de água bem fria pra ver se os jovens acordam e começam a planejar suas vidas. Acaba com a ilusão de aproveitar o máximo essa adolescência tardia que na verdade, não existe.

No livro, a psicóloga orienta como aproveitar melhor os anos dos 20 a 30 anos de idade e argumenta o porquê os 30 não são os novos 20. Os seus avós e talvez até seus pais tenham passado de filhos a esposos, assim direto. Até mais ou menos a década de 70 era comum casar cedo, com 15 anos de idade, por exemplo. Hoje, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a idade média em que o brasileiro se casa é com 28 anos. É comum mulheres terem filhos só depois dos 30. Isso dá um falso alívio que podemos adiar decisões importantes da vida para depois dos 30 anos, como decidir qual profissão seguir e com quem se casar (se é que queremos nos casar), enquanto isso vamos nos divertindo sem pensar muito sobre o futuro. Será que essa é a melhor atitude a ser tomada?

Talvez a pressão de ter que realizar tantas escolhas importantes aos 30 não seja a melhor opção. Seria melhor decidir com mais tempo e já moldar o trajeto de vida o mais cedo possível. Outro dado interessante que Meg traz é que o cérebro ao 20 e poucos anos é mais fácil de ser moldado, ou seja, nossa personalidade pode ser mudada mais facilmente nessa faixa etária, diferente do que muitos acreditam que é na fase da infância ou na adolescência.

Iniciei o ano assim pensativa no que eu vou fazer, o que eu quero ser e como quero estar aos 30 anos. Eu sei que dizer que não se importa é mais reconfortante, porque todos nós sentimos medo de nossos planos falharem. Então preferimos não escolher, ficamos com o sedutor talvez. Saiba que não escolher também é uma escolha, diz a psicóloga no livro e isso eu aprendi há alguns anos com uma omissão sobre um assunto muito sério.

Aprendi que estamos escolhendo o tempo todo. Aos 14 anos, aprendi que o mundo não para só porque eu quero. Aos 21 anos, aprendi que errar é melhor do que não tentar. E no ano passado, aprendi que escolher mais tarde não significa escolher melhor.

Em 2015 quero escolher o agora olhando para o futuro. Sempre à frente, porque a vida é uma aventura de autodescoberta. Aposte e faça. Se acertar, pode ter certeza que vão te aplaudir e se errar, levanta e recomece. Mas por favor, escolha.

4 Comentários:

  1. Oi Priscila!!! Amo seu blog, pode seguir o meu? obrigado, beijos.

    http://coisinhasdafranci.blogspot.com.br/

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    1. Fico feliz que goste, Lidia. Vou dar uma olhada no seu blog. Beijos!

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  2. Hahahahah que blog divertido!
    Então, Pri. Tens uma trajetória bem diferente da minha! Desde os 12 anos eu sabia que seria repórter. Briguei com a minha família porque queria muito seguir essa área, era super determinada e acho que eles se assustavam com isso por motivos de: "onde vc pensa que vai trabalhar?". Estou aqui, caminhando para minha versão 2.3, com formatura atrasada, porém, experiências profissionais super satisfatórias na mala. Acredito que cada um tem seu tempo e as coisas acontecem e chegam até nós na hora certa. Temos as respostas no nosso interior, o difícil é encontrar os caminhos para chegar até elas.

    Tenho certeza que com esse ótimo texto e a sua sensibilidade serás uma excelente jornalista! Desejo muito sucesso na sua caminhada.
    Beijão, guria!

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    1. Que bom que achou divertido meu blog. :)
      Obrigada pelos elogios e vida de repórter tem suas aventuras, mas tem bastante perrengue também. Faz parte. Haha
      Sucesso pra ti e até mais! Beijos!

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