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A felicidade de ter uma melhor amiga de infância


Esta crônica demorou para ser escrita, mas você nunca pediu. Porque amiga é assim, deixa a gente livre pra fazer o que quiser e sem julgamentos. Contigo eu sempre desfrutei da liberdade de dizer qualquer coisa sem nenhum pingo de receio, de virada de olho ou de cara feia. Você sempre ouviu meus dramas e não ridicularizou minhas bobagens.

Depois de 20 anos, a mensagem de hoje via Whatsapp  de “boa noite” seguida por “eu amo você”, fez eu refletir. Primeiro respondi sem pensar duas vezes “eu também te amo”. Bem, a gente sabe que eu sou super cuidadosa com as palavras, porque odeio mentiras. Esse nosso amor é  verdadeiro e relembrar o dia que a gente se conheceu é fascinante.

Nossas mães eram colegas de profissão, professoras do ensino fundamental. Você me viu na escola e quis mostrar a sala de aula da sua mãe, se exibir com a lousa e o giz. Mal imaginava que a minha mãe também “tinha” uma sala de aula. Lembrar aquela cena de você me dizendo que sua mãe era muito importante por ser professora e blá blá blá é engraçado.

 A nossa parceria foi provada com tatuagens iguais de coração no dedinho depois do dedão (sempre esqueço o nome) no pé esquerdo, meu presente de aniversario de 2013. Eu estava me borrando de medo enquanto você dizia: “relaxa que é só um risquinho!”.

A nossa conexão foi instantânea, logo uma não saía da casa da outra. Revezávamos, um final de semana você na minha e o outro, eu na sua. Claro que nos finais de semana que você passava na minha casa, eu fazia você levar um ursinho na missa de domingo. Você morria de vergonha de sair com um urso na rua. Afinal, você já tinha oito anos enquanto eu era uma pirralha de seis.

Passamos a infância juntas, veio a pré-adolescência e você perdeu o BV e a virgindade primeiro. Você que me ensinou a flertar, bem acho que não me ensinou muito bem, pois não sei até hoje. Nossos bate papos se guiavam por amores platônicos por vizinhos, professores e os guris da sala...

Veio à fase de fãs inveteradas por bandas pops internacionais. Cada uma iria casar com um dos Backstreet Boys, eu com o Nick e você com o Brian. As bancas de revistas ficaram ricas somente com a quantidade de revistas e pôsteres que comprávamos. Outra coisa que colecionávamos era adesivos. Usamos aparelhos nos dentes na mesma época, você adorava, eu odiava. A única graça era combinar as borrachinhas do aparelho com a cor da blusa. E a mania de usar uma borrachinha de cada cor? Que fase!

Veio meu primeiro namorado com aliança de prata e tudo, mega brega. Eu lá com 14 anos namorando e me achando à madura. Depois veio a fase de eu ser a própria Britney Spears. Saímos para as baladinhas de 15 anos, Big Bowlling, Biero e Mansão. O modelito era sempre o mesmo, mini blusa e calça jeans de cintura baixa.

Você fez a primeira tatuagem por primeiro, determinada e corajosa que é. Eu fiquei pensando por longos cinco anos. Eu te contei quando passei no vestibular da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e estava me mudando para Floripa, estava aterrorizada. Você me acolheu quando meus pais se separaram. Quando desisti de dois cursos e voltei para Joinville. E quando cortei meu cabelo estilo Joãozinho. Oh céus, que fase alternativa aquela! Sim, eu e você sabíamos que minhas bochechas não combinavam com aquele cabelo curto, mas nessa hora um: “tá bonita amiga”, vale.

Você me ligou quando colocou silicone, falou detalhadamente da  cirurgia e do pós cirurgia. Me mostrou todos os planos de comprar o primeiro apartamento e ir morar com o André, cara de sorte esse. Eu tive medo de te perder. Afinal, você estava praticamente casando, mas não perdi, porque irmãs são para sempre.

Eu não fui à sua formatura de graduação. Quebrei nosso pacto de deixar homens em segundo plano e você sabe a verdade, um ex-namorado não estava afim de ir e eu não fui para não deixá-lo sozinho. Panaca, eu sei. Me arrependo amargamente por esse fato. Mas você além de ser mais responsável do que eu é também mais generosa e está contando os dias para ir na minha formatura, em 2016.

Neste ano eu recebi outra notícia de uma nova etapa da sua vida, você vai ser mamãe e com alegria e surpresa recebi um comunicado que vou ser a madrinha da criança. É aquela confiança de irmã mesmo, porque sabemos que eu não sei lidar com crianças. Capaz de eu chorar junto com a Maria Izadora, mas eu prometo me esforçar para aprender a ser uma boa dinda.

Comentamos esses dias que a rotina das nossas saídas mudaram. Antes era bar e chope, caipirinhas nas quintas-feiras e cosmopolitan nas noites de comemoração. Agora rola aquele cafezinho da tarde com bolo e sorvete. Que é gostoso da mesma forma, porque é a nossa troca de vivência que faz nossa amizade forte.

Eu ouço com frequência sobre o mito de que amizade entre mulheres sempre rola uma competição, de quem é mais bonita, mais inteligente, mais não sei o quê. Com a gente nunca rolou, não precisamos competir uma com a outra e nem provar algo para alguém. Deve ser por isso que nunca brigamos. Porque somos perfeitas juntas, amigas, irmãs e confidentes. Eu te amo , amiga. Vou estar no seu lado para o que der e vier, não importa se as situações mudam ou se o nosso dia a dia é tão diferente uma da outra. Nossa parceria é de longa data, 20 anos de amizade não se acha em cada esquina.

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