Blogger Widgets

A (má) educação online


Absurdo. Muitas informações disponíveis online, o hábito de mover o dedão para cima freneticamente para acompanhar a timeline do Facebook, do Instagram e do Twitter, entre outras mídias, já é ação diária. Não importa o lugar, pode ser no busão, na rua, na sala de espera do dentista, em casa sentado no sofá ou na mesa de bar enquanto conversa (ou não) com os amigos.

Aí você vê um textão, uma foto ou uma frase de 140 caracteres e pensa: absurdo! Mas quase tem um ataque cardíaco tamanha a repulsa que sente ao observar aquele conteúdo. Precisa comentar, mas não somente isso, precisa comentar com estilo! Di-la-ce-ran-do o autor daquele absurdo. Afinal, não adianta somente demonstrar a sua opinião, são muitas opiniões na rede. O discurso do ódio é mais chamativo e empolgante, não é mesmo? Quando vê, záz, comentou. Dali um minuto já tem mais de 100 curtidas e mais de dez comentários, alguns defendendo o seu ponto de vista outros defendendo o do autor daquele absurdo e assim seguem as demais 245.978 postagens que você lê naquele dia e assim pode não só se informar com notícias, colunas ou textos, mas por meio dos comentários, certo?

É, mas algo nesse processo tem me incomodado, me deixado enjoada e inquieta e não é de hoje. A internet que é livre para consumimos quais informações quisermos vem com uns discursos chatos, extremistas e desagradáveis. O bom exemplo está sumindo. Falar sobre tristeza, pobreza e o revoltante gera mais curtidas e comentários, portanto maior visibilidade para quem escreve e quem propõe falar do amor ou de como o céu está bonito é bem provável que vai ser tachado de alienado, inocente, frívolo ou ainda por substantivos piores. 

No ano passado, um caso de falta de educação online me marcou, uma professora aqui de Joinville/SC se caracterizou de namoradeira de Minas Gerais para uma festa junina escolar, uma foto dessa professora foi postada no Facebook e no mesmo dia, usuários xingaram a mulher chamando-a de racista (essa foi a palavra mais educada que eu li). Nesta matéria foi esclarecido que ela não sabia que blackface era considerado racismo e nem sabia da existência muito menos do significado da expressão. Absurdo! - esbravejaram os politicamente corretos.

Outro caso aconteceu neste ano, uma vlogueira de beleza brasileira que mora no exterior fez uma paródia do videoclipe “Hello” da Adele e postou no YouTube. Nesse vídeo há um personagem negro então ela se caracterizou de negra para fazer o papel dele. Além disso, a vlogueira postou uma foto no Instagram dela com a legenda “neguinha paraguaia”. Ok, a legenda não foi das mais felizes, convenhamos. Logo depois de publicada, os comentários não foram bondosos. Bem, ela também não sabia o que significava blackface e olha só que curioso, o pai dela é negro.

Um caso mais recente, esse aconteceu no carnaval. Um casal se vestiu de Aladdin e Jasmine e o filho pequeno adotado foi caracterizado de Abu, o macaco de estimação do Aladdin. Sim, a criança é negra. E os comentários no Facebook começaram a fervilhar com expressões nada educadas chamando casal de racista. Veja essa atitude online se repetiu em nível local, nacional e internacional e eu aqui fiquei inquieta. Fiquei com pena da professora, da vlogueira e do casal, porque eles erraram sim, mas por ignorância, não fizeram por mal. Mas Priscila você está defendendo o racismo? Por favor, releia a frase acima. Mas Priscila você está defendendo a ignorância? Não, não estou falando para passar a mão na cabeça. No entanto, as pessoas não sabem de tudo, certo? Não nascem sabendo. Então que tal você aí que sabe que o blackface é um ato de racismo explicar gentilmente nos comentários? Não é mais prudente ser didático em vez de mal educado?

Se nós fossemos amigos e estivéssemos conversando em uma mesa de bar e eu não soubesse o que é blackface e estou te contando super empolgada que minha fantasia de carnaval vai ser de negra. Você em seguida berraria: Priscila sua racista, burguesa do c*? Imagino que não, ainda mais sendo um amigo. Suponho que você iria me explicar dizendo que talvez eu não saiba mas o blackface é crime que seria imprudente e ofensivo eu usar tal fantasia.

É isso, tá faltando é educação e elegância no trato com o outro nas redes sociais. Porque ser educado é uma atitude nobre mesmo que o outro discorde de você, mesmo que o outro tenha cometido um erro, mesmo que outro tenha dito ou feito um absurdo. Afinal, todos nós erramos e não é porque ele está registrado para sempre na internet que merece tratamento de condenação de morte. É aquela velha máxima, trate o outro como gostaria de ser tratado também vale para quando está online. Não fazer isso é que é um verdadeiro absurdo!

Discorda? Vamos debater com elegância nos comentários? :)

0 Comentários:

Oi, gente! Este espaço é dedicado à vocês! Opiniões, críticas e sugestões sobre o post ou blog são publicados aqui. Se você não tem um blog, pode comentar pela opção Nome/URL. Também sinta-se à vontade para entrar em contato comigo pelo priscilandreza@gmail.com :) Beijos!